CEO e CPO analisando estratégia de IA em sala de reunião moderna

Toda vez que penso no futuro do trabalho, percebo uma verdade desconfortável: a maioria das empresas acredita que basta adotar uma tecnologia nova para transformar seu negócio. Mas, ao olhar mais de perto e cruzar dados recentes, enxergo um abismo entre as expectativas e o impacto real da inteligência artificial. No centro desse desafio silencioso está uma figura pouco celebrada, porém decisiva: o Chief People Officer (CPO). É sobre esse papel invisível, radicalmente estratégico, que quero falar aqui.

Por que as empresas ainda tropeçam na transformação com IA?

Não são poucos os estudos comprovando o otimismo em torno da inteligência artificial no ambiente corporativo. Pesquisa com pequenas e médias empresas brasileiras revela que 75% estão confiantes quanto ao impacto positivo da IA, e 77% dos decisores creem que a tecnologia acelera processos internos (dados recentes). Na experiência da ValoraLab, vejo esse entusiasmo se repetir até entre companhias tradicionais.

Já entre CEOs, a inteligência artificial é considerada a principal tecnologia de impacto disruptivo (levantamento de líderes). Sinal claro de prioridade no topo da hierarquia. Porém, existe uma distância grande entre expectativa e resultado.

Pois a verdade é esta:

Apenas 5% das empresas realmente extraem valor superior com IA.

Os números são duros. Estudo global com mais de 1.250 empresas mostra que 60% não conseguiram gerar valor consistente ao implementar inteligência artificial. Já as empresas do topo, as verdadeiramente guiadas por IA, colhem resultados que impressionam:

  • Crescimento de receita 1,7 vez maior
  • Retorno ao acionista 3,6 vezes superior
  • Margem de EBIT 1,6 vez maior

Esses dados refletem o que vejo na prática: adotar novas ferramentas não basta. O erro mais comum está na condução da transformação, especialmente ao subestimar o papel do CPO.

O erro do CEO: relegar o CPO à coadjuvância

Em muitas organizações que acompanhei, o Chief People Officer participa da transformação digital apenas após a estratégia ter sido definida. Os CEOs delegam ao CPO o papel de “operacionalizar mudanças” depois que tudo já está desenhado. O problema: essa abordagem perde de vista o fator mais difícil da transformação com IA, a reinvenção de capacidades essenciais.

No modelo AI First, Human Always, defendido pela ValoraLab, o CPO deveria estar no centro do redesenho do negócio desde o início. Se o CPO só executa uma estratégia previamente desenhada, perde-se a oportunidade de repensar a arquitetura do trabalho, das funções e da cultura, pontos vitais para que a IA vire valor de fato.

Essa responsabilidade exige do CPO competências que vão além do RH tradicional: visão de negócio, domínio de IA, coragem para desafiar o status quo.

Por que tantas empresas não colhem valor com IA?

Eu me pergunto isso toda vez que vejo um grande investimento em tecnologia render pouco. O dado é alarmante: mesmo com boas plataformas e talentos, 60% das empresas ainda não obtém retorno consistente da IA (análise de mercado).

A explicação está, muitas vezes, na falta de um redesenho genuíno dos fluxos de trabalho, cargos e indicadores de sucesso. Empresas atrasadas ainda têm chance de recuperar o passo, desde que:

  • Redefinam processos, pensando do zero o que deve ser feito por pessoas ou IA
  • Atualizem a arquitetura das funções para refletir habilidades e novos entregáveis
  • Definam métricas claras e transparentes para acompanhar a evolução

Recentemente, li um relatório apontando que, para metade das empresas, já há sinais de retorno sobre o investimento em IA, especialmente com ganhos em agilidade (dados atualizados sobre ROI). Mas para atingir o grupo das 5% do topo citado antes, é preciso mais: colocar as pessoas e a cultura no centro do processo.

Confiança: o combustível invisível da transformação com IA

No contato direto com líderes, percebo que poucos falam sobre “confiança”. Mas a confiança dos funcionários é o nervo vivo dessa mudança. Pense:

  • Profissionais da média gestão, muitas vezes, nunca lidaram com IA generativa
  • Na linha de frente, há dúvidas, receios e resistência natural à mudança
  • Funções de apoio podem temer ser substituídas por algoritmos

Ignorar esses sentimentos pode ser fatal. O CPO tem a missão de ser o “arquiteto de capacidades” da empresa guiada por IA, balanceando tecnologia e conexão humana sem romper a confiança das equipes. Não é trabalho de bastidor: é liderança de verdade.

Na Valora Lab, costumo orientar CEOs e diretores sobre esse ponto. A confiança é construída explicando o porquê da IA, sendo transparente sobre processos e mostrando que pessoas e IA trabalham juntas, não uma substituindo a outra.

O novo CPO: menos executor, mais estrategista

O que admiro nas empresas “future built” não é apenas o investimento em IA, mas a postura dos líderes de gente e cultura. São organizações que priorizam:

  • Programas estruturados de aprendizado em IA (quatro vezes mais frequentes que em empresas tradicionais)
  • Proteção do tempo para que funcionários aprendam e testem novos recursos

O CPO nessas empresas vai além de ações administrativas e se torna agente provocador, propondo como o trabalho será realizado, medido e liderado daqui em diante. Ele precisa desmontar cargos, criar novos, decidir o que deve ser feito por pessoas e o que delegar à IA. Também cabe ao CPO decidir: quem será desenvolvido internamente e quem precisa ser buscado no mercado?

Transformações desse porte exigem ainda mais conhecimento técnico do CPO, mas sem perder o tato humano. Na ValoraLab, vivencio situações em que empatia é o diferencial: ajudar a equipe a sair do medo do futuro para o entusiasmo com novas possibilidades.

O CPO como arquiteto de capacidades

O conceito de “arquiteto de capacidades” marcou minha visão sobre o futuro do RH. Ao contrário do perfil tradicional, o novo CPO deve:

  • Decidir quais atividades devem ser desempenhadas por IA e quais exigem presença humana
  • Integrar ferramentas digitais aos fluxos de trabalho sem desmotivar equipes
  • Reconfigurar processos e cargos sempre que surgir uma tecnologia relevante

O papel desse arquiteto não se resume a proteger vagas, mas a reconstruir o trabalho de modo transparente e inspirador. É preciso criar diálogo verdadeiro sobre objetivos, mostrar como o sucesso será medido e qual o valor esperado da IA para todos na organização.

Essa abordagem está no DNA do nosso trabalho na Valora Lab, seja estruturando o CHRO as a Service para empresas em crescimento ou desenhando projetos personalizados para times de tecnologia e inovação.

As perguntas que todo CEO deve fazer ao seu CPO

Vejo muitos CEOs hesitarem diante da dúvida: meu CPO está pronto para liderar a era da IA? Não conheço receita definitiva, mas, com base na minha experiência, elenquei cinco perguntas para uma reflexão honesta:

  1. Você é curioso e experimenta IA no dia a dia?
  2. Já liderou uma transformação relevante, não apenas incremental?
  3. Sabe transformar ambiguidade em estrutura e clareza, priorizando o que realmente importa?
  4. Tem habilidade para criar um novo pacto social com os funcionários, explicando abertamente o papel da IA e os critérios de sucesso?
  5. Assume papel ativo, desafiando o confortável e liderando de ponta a ponta, ou apenas reage aos planos dos outros?

Essas perguntas mudaram minha forma de entrevistar e desenvolver líderes. Elas mostram que a era do CPO “operacional” ficou para trás: hoje, é preciso pensar, antecipar, construir e inspirar, tudo ao mesmo tempo.

O novo pacto social entre empresa, IA e pessoas

Não acredito em transformação verdadeira sem um novo pacto social, aquele entendimento compartilhado sobre como as decisões são tomadas e para onde estamos indo. Em momentos de transição, mais do que nunca, os funcionários precisam enxergar sentido e clareza nas ações da liderança. O CPO é a ponte por onde passa essa explicação: por que usamos IA, como será usada e como o sucesso será reconhecido.

A Valora Lab tem ajudado empresas a criar pactos claros, baseando tudo em transparência, aprendizado contínuo e espaço real para as pessoas crescerem junto com a tecnologia.

A reinvenção do trabalho: pessoas e IA lado a lado

Na prática, empresas guiadas por IA se diferenciam não apenas pelos sistemas que implantam, mas por como redesenham, de verdade, as atividades, metas e relações de trabalho. Toda nova automação abre espaço para funções mais criativas, intensivas em soft skills, e direciona o desenvolvimento das equipes para competências futuras.

O CPO, nesse contexto, vira protagonista e guardião da cultura. Ele ajuda a integrar ferramentas de IA ao cotidiano de times, mediando expectativas e transformando possíveis ameaças em oportunidades de crescimento, como discutimos na integração de IA com feedbacks de RH.

Como medir o impacto das mudanças lideradas pelo CPO?

Já escrevi sobre people analytics para além dos números. No contexto das empresas guiadas por IA, o próprio CPO precisa definir indicadores claros, transparentes e vinculados ao resultado de negócio, crescimento de receita, margem, atração e retenção de talentos, clima organizacional e resiliência à mudança.

Relatórios apontam que 53% dos profissionais já reconhecem ganhos em resultado com IA (reportagens recentes sobre ROI), mas para medir a verdadeira transformação, é preciso olhar também para indicadores humanos: engajamento, aprendizado contínuo, confiança e capacidade de inovar.

Empresas “future built”: o que aprendemos com elas?

Tive o privilégio de estudar e vivenciar os bastidores de organizações “future built”, aquelas que, sistematicamente, redesenham seu funcionamento à medida que a tecnologia muda. O que vejo nelas:

  • Aposta declarada em programas para treinar equipes em IA e novas formas de trabalho
  • Flexibilidade para adaptar funções rapidamente
  • Coragem para experimentar modelos híbridos, valorizando tanto performance quanto cultura

Mais do que fórmulas prontas, adotam a postura de reinvenção contínua, com o CPO guiando essa travessia. São empresas que reconhecem: quem reinventa seu negócio com pessoas no centro e tecnologia ampliando capacidades estará sempre à frente.

O aprendizado prático da Valora Lab

Com base em nossa atuação, percebo que boa parte do diferencial das empresas guiadas por IA está no tipo de liderança que constróem, especialmente na área de gente e cultura. A ValoraLab oferece consultoria orientada para :

  • Integração de IA nos processos de desenvolvimento e gestão de equipes
  • Redesenho de cargos e fluxos de trabalho sob medida
  • Criação de indicadores que unem cultura viva e resultados mensuráveis

Não vendemos pacotes padronizados. O que entregamos são trajetórias inteligentes para líderes dispostos a transformar e inspirar, como discutimos também em nossa categoria de estratégia aplicada à inovação.

Conclusão: o CPO protagonista do futuro do trabalho

Se há um recado que gostaria de deixar neste artigo é: o futuro das empresas guiadas por IA será decidido menos pelo avanço de algoritmos e mais pela capacidade de reinventar o trabalho sem perder a confiança das pessoas. O CPO sai do bastidor, assume cena, desenha pactos sociais e integra o que há de melhor em tecnologia e humanidade.

Líderes que compreendem, e colocam em prática, esse protagonismo têm resultados, cultura e equipes mais preparadas para crescer com a mudança. Seja você também protagonista desse futuro. Conheça a ValoraLab, transforme sua área de pessoas em arquitetura estratégica para seu negócio e coloque talento e IA em ação.

Perguntas frequentes sobre o tema

O que faz um CPO em empresas de IA?

O Chief People Officer em empresas guiadas por IA atua muito além de cuidar de processos tradicionais de RH. Ele é responsável por repensar cargos, integrar ferramentas de inteligência artificial ao trabalho do dia a dia e garantir que as pessoas estejam motivadas e engajadas. Também lidera pactos sociais claros e determina como o sucesso e o aprendizado serão medidos, transformando a cultura e a performance da organização.

Como a IA impacta o papel do CPO?

A inteligência artificial exige que o CPO desenvolva novas competências e se torne protagonista na transformação do negócio. O impacto está na necessidade de redesenhar funções, decidir o que será feito por humanos ou IA, adotar indicadores claros e guiar os funcionários do medo para o entusiasmo com as mudanças trazidas pela tecnologia.

Quais habilidades são essenciais para um CPO?

Um CPO preparado para empresas guiadas por IA precisa juntar mentalidade estratégica, fluência técnica e empatia. Isso inclui curiosidade pelo uso prático da IA, experiência em liderar transformações grandes, capacidade de estruturar a ambiguidade, habilidade para criar pactos sociais transparentes e protagonismo para desafiar rotinas e liderar mudanças de ponta a ponta.

Empresas guiadas por IA precisam de CPO?

Sim, o papel do CPO se torna ainda mais relevante em empresas que querem gerar valor com IA. Ele não só apoia a integração da tecnologia, mas integra pessoas, cultura e estratégia para que a mudança digital seja sustentável, ética e conectada à visão de longo prazo do negócio.

Como a IA transforma produtos nas empresas?

A inteligência artificial permite às empresas redesenhar produtos, aprimorar serviços e personalizar experiências para clientes e funcionários. Com a IA, é possível automatizar tarefas rotineiras, gerar insights mais rápidos e criar soluções realmente inovadoras, sempre exigindo que o CPO ajude equipes a absorver e se desenvolver junto às novas tecnologias.

Compartilhe este artigo

Gabriel Santa Rosa

Sobre o Autor

Gabriel Santa Rosa

Gabriel Santa Rosa é especialista apaixonado por capital humano e futuro do trabalho, com profundo interesse em tecnologia, inovação e cultura organizacional. Em sua trajetória, dedica-se a apoiar líderes visionários e empresas em crescimento na estruturação estratégica de áreas de gente e cultura. Atua nesse ecossistema com olhar analítico e humano, sempre buscando impulsionar performance, densidade de talento e impacto mensurável para os negócios.

Posts Recomendados